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Eleanor Rigby – Final

Autora: Amanda Kraft

No capítulo anterior, Eleonor influencia o menino de olhos caídos a contar sua estória através de uma canção. Finalmente sente que se libertará de todo jugo que a vida lhe impôs. Diverte-se quando os quatro rapazes se reúnem com seus instrumentos para dar-lhe vida.

Se os quatro amigos, reunidos com seus instrumentos, soubessem que o amor não me envolveu em seus braços… Ainda estavam tão longe da verdade, tentando criar para mim um amor que nunca tive. Lembrei-me de William e do que poderíamos ter sido um para o outro se não fosse meu pai. Alguém sugeriu um padre e me agarrei àquela ideia, sentando-me ao lado do homem de olhos caídos, tocando seu coração.

Um nome lhe foi dado: Padre MacCartney. Eu não gostei. Não estava certo. Olhei com atenção para os olhos do menino de nariz largo, concentrando-me nele. Ele sorriu ao dizer que o velho padre cerzia as próprias meias. Meu menino homem sorriu para ele. O outro, que também me era desconhecido, sentiu meu toque ao falar das pessoas solitárias. Eu fui a mais solitária de todas. Meu menino homem não gostou do nome escolhido para o padre. Disse que pensariam ser seu próprio pai. Alguém disse para ele pegar a lista telefônica. Se dedo correu no sobrenome Mckenzie. Pus a mão invisível na sua. Ele soube quando seus lábios sorriram de leve.

Mas ainda não estavam satisfeitos. Faltava o desfecho. Ficaram calados por um bom tempo. Através da discussão daquele grupo difuso, revivi meu próprio desfecho. O frio enervante abraçou-me quando me afastava da Igreja, após mais um sermão do meu amigo. Atravessei a praça, tremendo mais que o normal. Meus dedos congelaram na maçaneta da porta. Com muito esforço consegui entrar na casa morta. A lenha estava escassa. Adoeci. Meu peito doía a cada respiração. Não tinha força para me levantar nem mesmo para preparar uma gota de chá. Ninguém do meu trabalho apareceu para saber de mim. O frio foi intenso naquele ano.

Não sei quanto tempo se passou. Não quis permanecer naquela casa solitária. Arrastei-me até a Igreja e lá senti a solidão me abandonar para sempre. Tudo acabou quando Padre Mckenzie oficiou meu sepultamento e o vi, solitário, limpar suas mãos enquanto voltava para sua Igreja fria, deixando-me ali. Apenas um nome. Eu não me salvara, ainda.

Nossas estórias, a minha e de meu amigo se uniram nos versos finais. Minha vida se resumiu a dor e ao sofrimento de uma pessoa solitária. Aquele menino de olhos caídos e cálidos me amou. Aquele menino atravessou o véu e me encontrou. Através dele eu passei a existir. Eleanor Rigby não é mais um nome. É alguém. Agora, imutável. Não mais solitária, não mais vazia, não mais ninguém. Eleanor Rigby não será mais esquecida enquanto houver vozes se juntando à do meu menino, eu viverei em seus corações, para sempre.

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One thought on “Eleanor Rigby – Final

  1. santos-ailtonsilva disse:

    Parabéns pelo texto. A parte final foi muito boa em seu desfecho!

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